É da natureza dos mercados abertos que a concorrência seja acirrada. Para qualquer competidor, tudo conta no balanço no final do mês. Por isso, cada vez mais as empresas buscam minimizar seus gastos e aumentar a produtividade. Se antes uma máquina produzia X unidades, agora deve fazer 2X por 1/3 do custo. E o mesmo estagiário que antes custava uma bolsa auxílio e aprenderia à medida em que trabalhava, agora já deve ingressar na empresa com uma boa experiência profissional.
Mas como alguém pode ter experiência se muitas vezs ainda nem fez o primeiro estágio?
Uma das situações mais corriqueiras é conseguir um emprego que não exige nível superior. Obviamente que muitos (diria que a grande maioria deles) universitários trabalham em posições sem qualificação por necessidade financeira, mas mesmo quem tem condições pode optar por esse caminho.
Na comunidade, é comum os jovens ajudarem nos negócios dos pais (para muitos, é uma obrigação familiar). Mas, se por um lado esses bicos não influenciam tanto na obtenção de experiência técnica (obviamente dependendo da atividade), ajudam definitivamente na introdução à vida profissional e no treinamento comportamental. Se antes um jovem encarava a vida uma grande brincadeira, passa a ter obrigações e responsabilidades.
Se a sua família não tem uma empresa própria ou você quer experimentar coisas diferentes, tente vagas em companhias que empregam grande quantidade de jovens, como redes de fast-foods. Além de entender como funciona uma empresa, poderá ter uma bela experiência no relacionamento com cliente (um expertise vital em qualquer ramo de atividade).
Concordo com a necessidade de ter diferenciais vs. a “massa” – empresas (principalmente aquelas que valem a pena) e empreendedores valorizam aqueles que possuem experiência de vida.
Experiência de vida pode vir de trabalhos formais, trabalhos voluntários, projetos no clube/igreja/escola.
Ex.: numa das muitas entrevistas que tive para trabalhar na P&G (e que mais tarde fiz para avaliar candidatos), uma das maneiras para avaliar a capacidade de liderança/drive do candidato (muitas vezes recém-formado ou ainda estudante) era a respeito da participação em projetos na escola: vc foi representante de alguma agremiação? qual foi a sua contribuição? A mesma pergunta vale para a igreja ou o clube ou o condomínio.
Trabalhar para o negócio da família (ou amigos) pode trazer aprendizados que nem sempre valorizamos. Comércio é ótimo para conhecer tipos de clientes (CRM) e praticar o que os gurus do varejo pregam: saber servir cada tipo de cliente, controle (inteligente) de estoques e ajuste de preços conforme demanda. Sem falar no efeito do ponto de venda sobre a decisão de compra.
Saber expor e argumentar também conta muito. Para isso, considere melhorar o vocabulário e horizontes. Ensinar também é uma oportunidade excelente para treinar estas habilidades. O que vc pode ensinar? Comece pelas coisas de que gosta: sabe fazer pipa? jogar banco imobiliário? falar aquele dialeto super raro?
Ler também é fundamental (mas isso vc já sabia!), em português e definitivamente em outras linguas.
E sobretudo, escreva – uma boa idéia bem defendida e bem escrita é imbatível. Treine com as idéias que vc conhece bem, depois pode partir para o seu CV.
Oi, Ling, acho que é por aí mesmo.
Eu mesmo não considerei tanto o trabalho com a família, como acontece com a maioria dos jovens, mas felizmente pude aproveitar o que fiz, especialmente porque depois trabalhei em uma empresa de varejo (Submarino.com).
Existem infinitas opções, inclusive o voluntário. Os participantes da organização do Ano Novo Chinês, por exemplo, certamente serão mais valorizados.
O próprio ambiente acadêmico oferece espaço. Grêmio estudantil, diretório acadêmico, representação discente, consultoria júnior, laboratórios, monitoria, etc etc etc. No meio 2o ano de faculdade, fui representante dos alunos no órgão máximo da escola e pude votar no diretor.
Enfim, é buscar ou criar suas próprias oportunidades.